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Marco na hist√≥ria da ornitologia brasileira, Manual de Psitac√≠deos re√ļne informa√ß√Ķes completas para o segmento

 

Juíz membro da OBJO/FOB, o advogado Perestrelo comenta sua obra e se diz feliz com resultado do trabalho

 

 

 

Em 2014, o advogado e membro da OBJO/FOB marcou historicamente a ornitologia brasileira ao lan√ßar o primeiro guia brasileiro de padr√Ķes t√©cnicos e crit√©rios para julgamento de psitac√≠deos em concursos. A obra foi um desafogo n√£o s√≥ para ju√≠zes, mas tamb√©m para criadores, que puderam conhecer mais sobre as aves que criavam e ter no√ß√Ķes quanto tudo a que se relacionava ao preparo desses p√°ssaros para os concursos oficiais.

Foi um norteamento que trouxe um grande apoio e evolu√ß√£o para a ornitologia brasileira. Se a cria√ß√£o de aves dom√©sticas tem crescido a passos largos nestes √ļltimos anos, isso √© muito devido a pessoas como Perestrelo ‚Äď grande entusiasta que, em meio √† atribulada profiss√£o de advogado em uma cidade como a capital paulista, utiliza seu valioso tempo para pesquisar os psitac√≠deos e reunir informa√ß√Ķes majestosas em um grosso volume, um manual que, pelas suas mais de 400 p√°ginas, se tornou em uma esp√©cie de ‚Äúlivro sagrado‚ÄĚ dos psitac√≠deos.

Toda ilustrada com fotos das aves campeãs em campeonatos oficiais a publicação ensina de maneira didática, não teve fins-lucrativos, e atendeu aos desejos de uma parte da comunidade ornitológica que não contavam com tais recursos, tanto para criação quanto para julgamento.

Membro da OBJO/FOB desde 1999, de psitacídeos, Perestrelo é considerado autoridade no segmento e explica quais os passos envolvidos no processo de pesquisa para montar o catálogo.

 

Como nasceu a ideia de lançar a obra?

Entendo que uma Associa√ß√£o ornitol√≥gica deve ter todos os instrumentos de informa√ß√£o e normatiza√ß√£o de regras de julgamentos de aves. Em rela√ß√£o a psitac√≠deos, t√≠nhamos apenas obras estrangeiras, algumas antigas e informa√ß√Ķes isoladas de criadores.

Aliado a esse fato,¬† todos os ex-presidentes tinham a ideia fixada de fazer ‚Äúmanuais de julgamento‚ÄĚ para todos os segmentos da ornitologia. Como o segmento de ‚Äúcan√°rios‚ÄĚ era o mais antigo, j√°¬† haviam sido editados os manuais tanto para can√°rios de cor, como para can√°rios de porte.

A dificuldade sempre é de encontrar pessoas que tenham a boa-vontade e espírito de colaboração para realizar esse trabalho.

Quando em 1999 fiz exame para ‚Äújuiz ornitol√≥gico‚ÄĚ no segmento de psitac√≠deos, estabeleci o comprometimento de realizar uma obra √† altura de nossa Federa√ß√£o.

 

A que veio agregar essa obra?

 

Não havia normas para julgamentos de psitacídeos, salvo aquelas básicas, advindas dos manuais de canários de cor (motivos de desclassificação: aves doentes, sem unhas, falta de penas, sem anel, etc.)

Nos julgamentos, sem normas claras, cada juiz julgava apenas pela opinião pessoal. Cada um tinha um entendimento.  Uma ave era julgada em um campeonato regional por um juiz. No campeonato Estadual ou Brasileiro, por outro juiz, que interpretava diferentemente do anterior.

A distin√ß√£o era elevada, com os criadores sem ter um par√Ęmetro para aferir a qualidade das aves.

 

Quanto tempo levou para desenvolver a pesquisa e transform√°-la em livro?

Como diz o ditado chin√™s: ‚Äúpor maior que seja a caminhada, sempre haver√° o primeiro passo!‚ÄĚ

Fui nomeado juiz ornitológico de psitacídeos pela FOB EM 1999 e no ano de 2000 iniciei a obra.

A ideia primária era fazer um simples manual. Um conjunto de normas de julgamento a serem seguidas. Com o avanço das pesquisas, quantidade elevada de fotos de todos que era possível, visando criadores, zoológicos, etc., despertou a ideia de se aproveitar e fazer um livro sobre psitacídeos com normas de julgamento.  

 

Qual o crit√©rio para se estabelecer as informa√ß√Ķes presentes no manual?

¬†O objetivo era ter uma obra completa sobre psitac√≠deos, atualizada, com o maior n√ļmero de muta√ß√Ķes existentes e uma ferramenta segura para todos os criadores, desde as origens das esp√©cies, habitat, acomoda√ß√£o em criat√≥rios, alimenta√ß√£o adequada, manejo, ninhos, anilhamento, sempre estabelecendo padr√Ķes de qualidade para cada esp√©cie, dentro dos princ√≠pios b√°sicos de julgamento.

 

Qual a principal dificuldade encontrada para catalogar todos os padr√Ķes t√©cnicos dos psitac√≠deos?

As dificuldades maiores foram no sentido de¬† encontrar um ‚Äúconsenso‚ÄĚ entre os ju√≠zes para as normas serem seguidas por todos.

Sempre haver√° conflitos, porque muitos ju√≠zes durante muito tempo adotaram o ‚Äúseu‚ÄĚ m√©todo de julgamento e, as mudan√ßas nem sempre s√£o aceitas imediatamente. Alguns bem participativos e outros totalmente¬† inertes √†s sugest√Ķes.

Nos tr√™s primeiros anos, ap√≥s os campeonatos, nos reun√≠amos para debater determinadas quest√Ķes e houve at√© uma evolu√ß√£o nesse sentido.

¬†Entretanto, ap√≥s esse prazo, notou-se que havia sugest√Ķes para mudar conceitos preestabelecidos, justamente em quest√Ķes que j√° haviam sido sugeridas pela mesma pessoa.

A partir de então, com a base anterior, passei a desenvolver sozinho todo o projeto da edição do livro.

Aproveitava os campeonatos brasileiros e fotografava os psitac√≠deos campe√Ķes, anotava, verificava os defeitos, fotografava de novo, comparava, etc.

Fiz um plano desde a abertura, dedicatórias, histórico das aves desde os primórdios, situação atual, genética, conceitos de julgamento e finalmente todas as classes das aves, inclusive as nacionais.

 

¬†Acredita que o n√≠vel de informa√ß√Ķes que reuniu na obra ajudou a criar um fluxo maior de padr√Ķes t√©cnicos para a cria√ß√£o e julgamento desses p√°ssaros?

¬†Sim.¬†Com o lan√ßamento do livro e do manual, os ju√≠zes s√£o obrigados a seguir os padr√Ķes e julgamento adotados. Al√©m disso, mesmo os criadores leigos t√™m condi√ß√Ķes de seguir o livro para criar psitac√≠deos. ¬† O livro de psitac√≠deos √© o √ļnico dos manuais que tem, al√©m da parte t√©cnica, informa√ß√Ķes para a cria√ß√£o das aves.

 

Em sua opinião, em que estágio se encontra a criação de psitacídeos no Brasil? 

√Č uma cultura consolidada. H√° grandes criadores legalizados com grandes estruturas.¬†¬† O avan√ßo √© elevado e √© o segmento que mais cresce a cada dia.¬†¬† O que estamos diferenciados da Europa √© que l√° os criadores desenvolvem as muta√ß√Ķes das aves, sob r√≠gido controle e acasalamentos gen√©ticos. ¬†Aqui no Brasil esse trabalho √© mais lento. Explica-se:¬† Na Europa os¬† criadores geralmente se especializam em apenas um tipo de psitac√≠deo.

 No Brasil, a maioria dos criadores criam várias espécies, sem se preocupar apenas com uma delas como especialização.

 

Quais considera√ß√Ķes finais?

Bem, eu entendo que para criadores s√©rios tanto de psitac√≠deos ou outras aves, os √≥rg√£os p√ļblicos deveriam dar todo o apoio, assim como ocorre na Europa.

L√° o Governo incentiva √† popula√ß√£o para que tenha uma ociosidade criativa.¬† Todas as casas, na maioria, t√™m cria√ß√Ķes, planta√ß√Ķes, aves, animais, integrando com o homem.

¬†Aqui no Brasil, ainda, devido √†s serias dificuldades das fronteiras, a cria√ß√£o de aves pode ser vista como se houvesse alguma ilegalidade ‚Äď o que n√£o √© verdade. Verdadeiros criadores, associa√ß√Ķes e federa√ß√Ķes s√£o s√©rios.